21 abril 2009

Lacunas biológicas...


Há muitas coisas da vida sobre as quais nem sempre conseguimos ter domínio.

Se há alturas em que pensamos que mais ou menos conseguimos ter o nosso rumo de vida planeado segundo os nossos projectos pessoais, há outras alturas em que nos sentimos completamente à deriva.

E talvez essas alturas em que nos sentimos à deriva existem porque há coisas que, por mais que queiramos, nunca conseguimos planear.

Aspectos da nossa vida que dependem de coisas sobre as quais não temos qualquer poder de decisão, domínio e forma de comandar.

Porque dos nossos planos de vida, praticamente só conseguimos conduzir e dominar as coisas objectivas e concretas. Porque os planos subjectivos, fogem ao nosso controle.

Escapam-se como areia entre os dedos sem nos darmos conta, tal é o nosso estado de absorção em fazer grandes projectos a médio e longo prazo.

Só que esses planos sobre os quais não temos poder nem certeza de atingir, quando estamos empolgados e fazemos os nossos projectos, são contabilizados inconscientemente.
Lá no fundo, achamos que em paralelo com determinados planos objectivos, hão de naturalmente coexistir outros subjectivos.

Só que isso não passa daí!

Porque há coisas que por mais que achemos que hão de vir naturalmente com o normal decorrer da vida, na verdade não podemos contar com que elas sejam certas. Não podemos pensar que elas vão acontecer quando nós queremos, quando nós esperamos, pretendemos e planeamos que elas aconteçam.

Se às vezes já nos é difícil realizar os projectos pessoais objectivos a que nos propomos, é ainda mais complicado contornar coisas que fogem ao nosso alcance e que são impossíveis de prever.


Só que às vezes iludimo-nos... e pensamos que nesta etapa da vida vamos fazer X, Y e Z tal como previmos. Mas esquecemo-nos que inconscientemente planeámos todo um conjunto de coisas que estavam subjacentes ao X, Y e Z.
E esse planeamento inconsciente é o subjectivo sobre o qual não temos qualquer domínio.

E quando nos deparamos a realizar os nossos planos objectivos X, Y e Z... começamos a notar que há algo que falta... que há uma peça do puzzle que não existe... É aquela peça que contabilizámos inconscientemente... E só quando damos pela falta dela, é que pensamos como há coisas na vida que de facto não são possíveis de prever assim num estalar de dedos.
Só aí é que realmente vemos que há muitas coisas que fugiram do nosso alcance.

Mas de tão iludidos que estávamos a planear X, Y e Z, até nos esquecemos que estes podem não se realizar da forma como previmos, porque em paralelo necessitam daquilo que inconscientemente contabilizámos.

Será que depois ainda temos força para acabar X, Y e Z? Mesmo sem a última peça do puzzle?
Como ultrapassamos coisas que não podemos prever quando nos deparamos com elas? Especialmente quando estas fazem parte dos nossos planos a longo prazo?

E nessas alturas criam-se fossos na nossa vida...
Há como que buracos que não conseguimos preencher por todas essas coisas sobre as quais não temos domínio...

Sentimos um vazio que não consegue ser preenchido por mais coisas que tenhamos, por mais outros objectivos que temos igualmente definidos... Porque só aquela peça é que encaixa, todas as outras já estão montadas, só aquela é que falta... Mas onde é que ela está? Ela não se encontra assim num estalar de dedos, muito menos cai do céu.

E de repente sentimos que tudo aquilo que construímos não foi assim tão sólido.
Mas será que construímos alguma coisa? Ou estávamos tão eufóricos que nem nos demos conta que há coisas que devíamos ter tido em conta no momento?
Não sei. Nestas alturas já não sabemos de nada.

Nestas alturas andamos completamente perdidos.
Sentimo-nos ocos e vazios por dentro. É a sensação de que não sobrou nada.
Tudo passou, foi tudo um sonho, mas que acordamos e não temos nada.


Porque no decorrer de X, Y e Z o normal seria já estarmos avançados e já termos percorrido uma parte daquilo que nos iria permitir alcançar os objectivos que inconscientemente delineámos.
Porque esses objectivos, que inconscientemente projectámos em paralelo, não foram ao acaso. São coisas normais àquela etapa de vida.

E se a vida decorre e elas não vêm, se a vida passa e nada acontece, sentimos naturalmente um vazio por algo não estar a ser preenchido.

Sentimos que os outros conseguiram um avanço nessas etapas, e que nós simplesmente estagnámos.
E por mais que queiramos sair, não conseguimos.


Quem ia a correr connosco, ao nosso lado, continuou. E nós ficámos para trás, progressivamente mais longe... e sem conseguir progredir naquela etapa e continuar para a seguinte.

E à medida que o tempo passa... só nos vamos enterrando cada vez mais...
E é nessas alturas que sentimos um profundo vazio a abater-se sobre nós...
Para além de ser nesses momentos que sentimos que todos desertaram... e nós ficámos sós...


3 comentários:

pensador made in vaso disse...

olha, confesso que não entendi hauahuah que vergonha! hauahua poderias que explicar por obséquio?
abraços libertários,
do vaso mais limpo do brasil.

Luís disse...

E se X, Y e Z não existissem? O que está subjacente valeria mais? Se vivêssemos apenas do subjacente, se o objectivo estivesse à deriva...se não depende de nós,só da promessa do tempo, então talvez não tenha nada com X, Y e Z. Não tendo nada, ficamos parados, sem saber se somos mais novos ou mais velhos do que pensávamos. Mas é ao deixar tudo passar que elas realmente passam e daí sabemos onde estamos e o que pode ajudar, mesmo sendo um simples Y.

Söf!@ disse...

Respondendo ao "Vaso mais limpo do Brasil":
Pensa q na vida há td um conjunto de coisas sobre as quais tens o mínimo de controle... mas pa q essas te possam correr bem e te possam dar prazer em as estares a fazer, é necessário q em paralelo existam outras coisas... coisas essas q ñ são possíveis de prever nem de contabilizar! São coisas ñ palpáveis e sobre as quais ñ temos nenhum controle...
Já pensast no q são as verdadeiras coisas q nos fazem felizes?
Tenta ir por aí... tenho a certeza q xegarás lá! Boa sorte! ;)

Respondendo ao Luís:
Se X, Y e Z não existissem, o que está subjacente valeria AINDA mais! Pq assim ñ teríamos nem seker as coisas objectivas pa nos apoiarmos... O subjectivo é sp o q conta mais, e é sp o mais comum e o q tds keremos, no fundo, msm q às vzs digamos q ñ.
Só q há pessoas q o tentam conjugar com coisas objectivas tb... só q a imprevisibilidade e incerteza das coisas subjectivas às vzs deixam-nos sem chão por baixo dos pés, cm se tivesse aberto um buraco para o qual estamos a cair... e ñ há nd objectivo nem subjectivo q nos possa agarrar e evitar essa keda no infinito...
E sim, poderíamos viver só do subjectivo... a maioria das pessoas vive só dele, pq nem seker pretende planos objectivos.
ñ tendo nd, é qd se abrem os gds fossos de vida...