27 Dezembro 2009

Como um Deserto...


Como um deserto... com a sua aridez...

C
om cactos gritantes, resistentes ao sol escaldante...

Sem uma sombra protectora do fulminante sol ardente...

Com a sua terrível paisagem a perder de vista no horizonte infinito...

Terreno seco e gretado pelo calor...

Árvores secas, jazem mortas num chão traidor... mortas pelo impiedoso sol abrasador...

Miragens ao longe...

... miragens de visões...

... imagens de ilusões...


De vez em quando na vida... todos nós sentimos um deserto dentro de nós...

E embora haja algo em nós que cronicamente se recusa a admiti-lo no nosso âmago, existe uma outra parte que se orgulha da sua existência ardente...

Algo que recusa esse deserto dentro de nós, contrariando-o com todas as forças infrutíferas de uma natureza morta... e um desejo fulminante que este permaneça intacto e vigoroso...

...


Porque o deserto deseja a chuva como refrigério, alívio e consolo... mas tem necessidade do Sol para saber que é um deserto...


13 Dezembro 2009

Matur_idades...


É tipo como coisas institucionalizadas, parece que só somos maduros ou só somos considerados como tal se tivermos X e já tivemos passado por Y.
Na verdade, podemos não ser maduros em X nem em Y, mas podem haver muitas outras coisas em que somos maduros. Se calhar muito mais do que seríamos mesmo tendo X e Y.
E na verdade, não é X e Y que determinam a nossa maturidade. Porque se calhar até há pessoas maduras em X e em Y, mas depois no que toca ao resto...pow! Caem no vazio, é tudo oco lá dentro.
Não é por ter ou não ter X e Y que somos ou deixamos de ser maduros. Isso até pode ser um aspecto que influencia, mas nao é o único! Há muito mais coisas que para isso contribuem.
E de que vale ter X e Y se depois não se tem mais nada?
Mais vale não ter X e Y, mas no que toca ao resto sermos preenchidos, recheados de conteúdo, e no fundo, globalmente maduros!

Há muito mais coisas que dão maturidade... e se calhar essas até importam mais do que X e Y...
O facto de termos contacto com determinado tipo de situações normais de pessoas mais maduras, isso faz com que nos transmitam as suas ideias, igualmente mais maduras!
E esse contacto faz com que nós mais novos e menos experientes, amadureçamos apenas pelo contacto com essas pessoas e experiência que nos transmitem e que nos incutem.
E isso poupa-nos muito tempo! Poupa-nos tempo de vida!

Porque ao aprendermos com os erros dos outros, já não vamos perder tempo de vida a cometer os mesmos... pois fazemos logo as coisas certas à primeira vez, muito mais cedo do que eles fizeram.
Quando chegarmos à idade deles, já aprendemos em muitas outras coisas que entretanto tivemos tempo porque as outras já estavam sabidas, foi um passo mais rápido que demos logo no início do caminho, para nos adiantarmos.
Não precisamos de perder o tempo que eles perderam, pois eles ao ensinarem-nos cerats coisas, abrem-nos o olhos para muitas coisas que nós iríamos naturalmente fazer e depois cair em erro.

E no fundo o que nos dá maturidade, não é o facto de não batermos com a cabeça e aprendermos com os nossos próprios erros, é aprendermos com os erros dos mais velhos, e o que eles nos ensinaram... e com a idade mais jovem que temos, já fazemos coisas com uma consciência mais madura e avançada...
Há mesmo que aproveitar a experiência mais velha...
Até o tempo que partilhamos é o mesmo...

27 Novembro 2009

Serpente...


A verdadeira beleza da serpente não reside no facto de o seu veneno poder matar um homem em poucos segundos...

... mas o facto de esse animal, sem patas nem braços, ter conseguido enraizar profundamente na humanidade inteira, o terror face à sua espécie...


De uma forma tão profunda... que não o podemos expulsar dos nossos genes... e estamos condenados a temer esses répteis.

Instintivamente...

21 Novembro 2009

Coesão competitiva...


Estamos num mundo de competição, de competitividade, de ver quem é o melhor!
Um mundo de avaliações constantes e de testes permanentes. De testar as nossas capacidades ao máximo, de ver quem é o melhor, quem consegue, quem ultrapassa os obstáculos, quem segue em frente, quem tem os melhores resultados!
Um mundo de levar as emoções e as experiências ao máximo, ao rubro. No fundo, só para nos sobressairmos. Só para o bom, o melhor, se sobressair!
É o instinto animal humano.

Testar-nos... o tempo todo... constantemente... todo o gesto que fazemos é meticulosamente observado, analisado, avaliado, categorizado, escalonado, medido...
E se nós conseguirmos passar esses testes, o resto fica para trás.
Só quem prossegue, quem se aguenta, quem sobreviveu a todos os testes continua em frente...
E quem segue em frente, é sinal que conseguiu, que foi melhor, que venceu... mas vai só...

Para confirmarmos um pouco melhor esta fase ridícula pela qual andamos a passar, basta ligar a televisão e ver a enxorrada de programas que apelam constantemente a ver quem é que se sobressai, a apurar o nosso desempenho... as avaliações a que estamos constantemente a ser submetidos para apurar os melhores.
As capacidades que temos de mostrar ter, as qualificações que temos de apresentar, para tentar sempre ser o melhor e chegar mais acima e conseguir, e subir, e ... e... e... até cansa!
Desgasta qualquer um esta competição louca que não traz nenhuma felicidade, mas só angústia e tristeza de andarmos todos aqui a ver quem é o melhor.

E a competição cria rivalidades... e em vez de se criarem e fortalecerem laços, quebram-se.
Não há solidariedade, há egoísmo.
Não há entreajuda, há competição.
Não há doces caminhos a percorrer, há metas a atingir.

É triste, é muito triste, porque andamos aqui todos às cabeçadas aos murros e a competir sofregamente em prol da afamada coesão social...


17 Novembro 2009

Oportunidades...


Depende das oportunidades que casa um tem, é verdade... mas há pessoas que tem sorte!
Ou então é o destino, mais do que traçado pelos astros...

Será que apesar de fazermos algo que sempre desejámos fazer ou ser, não nos devíamos também abrir a outras coisas que antes nem sequer pensávamos...?
E não estar obcecados apenas com uma coisa já antiga e que se calhar para a qual nem temos assim tanto jeito como pensamos?

Apostar noutras coisas às vezes também pode ser bom... na verdade, às vezes pode ser o melhor que temos a fazer!


O problema de às vezes não nos mexermos mais ou arriscarmos mais, é porque estamos muito seguros de algo, de termos as coisas muito estáveis...
Às vezes até seria melhor nem todas as coisas estarem tão seguras para nós, para que possamos arriscar noutras...

Quanto mais temos, menos arriscamos.
A falta e a insegurança é precisamente aquilo que nos leva à iniciativa, a arriscar e dar um novo passo e a mudar certas coisas.

Às vezes, quem não tem nada é quem mais arrisca!
Exactamente porque não tem nada a perder!

Quem pode ter alguma coisa a perder, nem sequer se arrisca a poder ter algo mais ou diferente, só pelo receio de perder tudo...