29 novembro 2007

Geografia...

Ainda estou comovida. Hoje foi a homenagem a um grande geógrafo português, o professor Jorge Gaspar.
A homenagem teve lugar na reitoria da Universidade de Lisboa e estendeu-se durante todo o dia.
Contou com a participação de muitas pessoas: alunos, admiradores, geógrafos de Portugal, do estrangeiro, representantes políticos, entre outros.
Enfim, o público era variadíssimo! Desde os mais novos aos mais velhos… todos juntos com o objectivo de prestar homenagem a alguém que tem vindo a deixar ao longo da sua vida, um grande, precioso e inigualável contributo para a Geografia.
E ao longo do dia a cerimónia incluiu vários discursos, exposições, apresentações, muitos agradecimentos, reconhecimentos, gratidões, etc. que todos, de uma forma ou outra, no fundo dirigiram ao professor Jorge Gaspar.
E apesar de ter gostado bastante de todos os discursos, o que mais me comoveu foi, sem dúvida, o agradecimento final do homenageado Professor Jorge Gaspar.
Apesar de apenas ter sido aluna dele no primeiro ano do meu curso, no fundo sempre senti que ele era daquelas pessoas com quem apetece falar durante horas seguidas, discutir assuntos, conversar sobre as mais variadas temáticas.
Logo desde o princípio, a forma como ele falava e expunha as aulas, já demonstrava a sua grande sabedoria… e já aí eu ficara fascinada com o seu conhecimento…
E hoje, durante o seu discurso final de agradecimento, que durou aproximadamente duas horas e meia, ele captou-me a atenção de uma forma que poucas pessoas conseguem fazer.
O modo como falou e o que disse, certamente não foram indiferentes a ninguém.
Fez um brevíssimo resumo da sua vida, da sua carreira, das várias etapas do seu amor pela geografia, a sua dedicação à mesma e a fidelidade que sempre lhe teve.
Ao ouvi-lo senti que a vida dele é muito mais do que aquilo que eu alguma vez imaginara. Admiro profundamente o seu conhecimento, a sua sabedoria, experiência, a pessoa que ele é.
Surpreendeu-me!
A cada palavra que proferia…
É daquelas pessoas para as quais olhamos e pensamos “Ali vai um poço de sabedoria…”
Os relatos do seu fantástico percurso de vida, das viagens que realizou, dos amigos que fez, dos afectos que cultivou, das experiências por que passou… e muito, muito mais.
Sem dúvida um exemplo a seguir.
Um exemplo para todos nós. Para mim, uma referência.
Uma vida de geógrafo à qual apetece seguir os passos. A qual dá vontade de seguir as passadas, de lavrar com orgulho aquilo que realmente amamos, desbravando todos os obstáculos e transformando-os em degraus para subir.
O seu discurso fez-me desejar tê-lo conhecido desde sempre, partilhar as suas experiências, contemplar a sua sabedoria e, acima de tudo, aprender com ele.
Ele reavivou o amor que sinto pela geografia, pelo meu curso e, reafirmar o orgulho que tenho naquilo que realmente gosto.
Ensinou que conseguimos o que querermos se arriscarmos. O que importa é não estagnar, e aceitar desafios!
É impossível descrever tudo aquilo que senti ao ouvir as suas palavras, pois parece sempre que, por mais que se tente, nunca se consegue absorver tudo o que foi dito.
Faltam-me as palavras, apenas me sobra o grande apreço que tenho pelo professor Jorge Gaspar e o amor que sinto pela geografia.
Só sei que, há momentos e pessoas que nos fazem sentir bem connosco mesmos, orgulhosos e felizes por aquilo que somos e amamos e, acima de tudo, que nos fazem sentir que estamos no caminho certo…

28 novembro 2007

Dias perfeitos!

Há dias em que nos sentimos a pairar no ar... Eufóricos! Felizes!
Porque apesar de tão simples e cheios de pequenas coisas que os dias podem ser, eles preencheram-nos o coração de alguma forma... Seja pelas pessoas com quem estivemos, o que conversámos, os sítios onde fomos, o que visitámos, as paisagens que vimos, as fotografias que tirámos... E no fundo sentimo-nos assim bem, por tudo isso junto... Porque há momentos para tudo. E porque há alturas para estarmos com quem gostamos e partilharmos com eles um bocadinho daquilo que somos.
E foi o que aconteceu entre ontem e hoje...
Apesar de ter sido pouquíssimo tempo, foi o suficiente para ser inesquecível!
Pela companhia, pelos sítios lindos em que estivemos, pelas conversas e brincadeiras, que de certa forma nos aproximam e aquecem o coração da alma.
O nosso país é lindo. Portugal é um país com paisagens esplêndidas. Não é que eu não soubesse, mas cada vez mais tenho certeza disso. É um país relativamente pequeno e, no entanto, tem paisagens tão diferentes, com contrastes tão marcantes e uma beleza imponente.
E ontem e hoje estivemos em mais uns desses muitos maravilhosos sítios que existem em Portugal... não é preciso ir muito longe... não se demora muito tempo... não é preciso umas férias para ir... apenas é preciso saber apreciar a natureza que nos rodeia, amar as paisagens e viver a geografia!

25 novembro 2007

Coisas que ficam...

Já foi há algum tempo, mas lembro-me como se fosse hoje.
Aquele dia que até estava a correr especialmente bem…
Mas pessoas com as quais até nos damos bem, tem atitudes e dizem coisas que no fundo nos magoam, mesmo que não tenha sido com grande intenção ou maldade. Mas sentimos que no fundo, há ali qualquer coisa que na realidade nunca nos uniu muito e que se transparece nessas palavras…
Essas indirectas, essas pequenas frases e atitudes que marcam, parecendo que não, vão levando progressivamente a um maior afastamento…
E passado um tempo as pessoas perguntam “Porquê?”, e nem se apercebem que foi devido às atitudes que tomaram… não olham para si próprias, achando sempre que a culpa é exterior a elas.
No entanto, continuam a fazer e a dizer esse tipo de coisas… e não se sentem minimamente tocadas.
Nem pensam duas vezes antes da próxima vez que falam… porque por mais que tentemos fazer ver que aquilo que nos disseram nos fere, continuam impávidos e serenos sem entender o quanto realmente magoam…

24 novembro 2007

O Verão já acabou…

O Verão já acabou… e os verdadeiros dias de Outono já começaram…
Apesar de o Verão até se ter prolongado, e os dias de sol e calor terem durado mais do que o habitual… quando eles vão embora, sentimos sempre uma certa nostalgia… como se mesmo assim, ainda tivessem durado pouco.
O sol e o bom tempo estenderam-se até Novembro, pouco a pouco, deslizando por mais um dia e mais outro… que mais pareciam ir durar para sempre…
Mas bruscamente foram traídos por vento e uma temperatura que desceu rapidamente, da qual os mais apaixonados pelo calor não estavam à espera.
Os dias de Outono chegaram, ao fim de algum tempo, e já atrasados. Mas chegaram. Regressaram em força! Vigorosos na sua afirmação!
Mas com eles também outras coisas boas vieram… É nestes dias mais frios em que apetece ficar na caminha de manhã a gozar o conforto do quentinho saboroso dos lençóis.
Sabe bem estar no sofá coberto com uma manta, em frente à lareira a beber chá quente e a ler um livro.
E mesmo os dias de chuva, apesar de às vezes incomodativos, podem-nos trazer belos passeios a dois debaixo de um chapéu…
É uma altura do ano em que sabe bem estar confortável e no quentinho, no abrigado do agreste.
São dias propícios ao encontro com as pessoas com quem gostamos de conversar… o frio e o vento que se fazem sentir lá fora, remetem para um ambiente acolhedor, com um chá e conversas que aquecem a alma. Estamos mais virados para o interior, para o diálogo e valorização da companhia, dos carinhos, dos afectos.

E assim foi o meu dia. Um daqueles dias longos em que já se fez tanta coisa que parece que já duram há anos.
Apesar de chuvoso, logo de manhã me deparei com um maravilhoso arco-íris que me esperava à janela.
E apesar de ter ido estagiar para o local habitual às quartas-feiras, pelo facto de até gostar do trabalho a desenvolver, e de ter sido diferente, tanto ao nível do espaço como das pessoas… fez com que eu começasse a ver as coisas de outro ponto de vista, a apreciar a sua verdadeira essência, a beleza que existe escondida por detrás delas… E mais importante ainda, o facto de a poder partilhar com alguém que divide os mesmos gostos e interesses que eu… E de esse alguém estar sempre ali… e aqui dentro…

E mesmo num final de tarde, tal como aconteceu logo ao começar o dia, brota ao longe no meio da multidão de rostos desconhecidos, um sorriso que nos é familiar… e que no meio de tantos pelos quais passamos, é apenas aquele que nos aquece o coração…

23 novembro 2007

Naqueles dias...

A vida passa depressa. Ou se calhar somos nós que passamos por ela depressa demais.
Uns chegam cá, passam pela vida e vão-se embora sem deixar rasto, nem revolta do muito ou pouco tempo que durou ou poderia ter durado, a sua estadia por cá.
Outros chegam e depois de terem ido, acham que se foram embora cedo demais, pois certamente teriam muito mais para aproveitar. Embora durante a sua estadia aqui não tenham feito muito mais para que isso acontecesse.
E ainda há aqueles que chegaram e tentam a cada minuto aproveitar aquilo que a vida tem de bom para lhes oferecer. Sugam sofregamente cada chance, cada oportunidade para serem felizes, abrem todas as portas que se lhes atravessam em busca da diversão e do verdadeiro prazer de viver, não se contentando com pouco. São lutadores ferozes nas suas convicções de que o tempo por cá é pouco, e tem de ser bem regido e orientado para dele ser tirado todo o proveito.
Todos nós deveríamos de certa forma, enquadrar-nos nesta última categoria e não permanecer apáticos perante a vida a passar-nos à frente dos olhos, como um comboio que não espera. E que nem quando ele pára para entrarmos, nos damos ao trabalho de o fazer, ficando na plataforma sempre a pensar em qual deveríamos mesmo entrar.

Há dias que nos fazem pensar nestas coisas e no quanto levamos connosco desta vida.
Muito? Pouco? Menos do que queríamos realmente?
Sintomas desse tipo de sentimento da passagem do tempo acontecem naqueles dias…

… naqueles dias em que sentimos que foram um grande dia! E que os aproveitámos mesmo bem até ao fim. Que tivemos boas conversas com pessoas que até vemos regularmente, ou todos os dias, mas que naquele dia soube especialmente bem!

… naqueles dias em que revemos várias pessoas juntas que gostamos e que já há muito que não as víamos, recordando momentos bons e pondo a conversa em dia. Estes dias tendem a tornar-se cada vez mais raros devido à vida que cada um segue no seu caminho individual, e que normalmente não se coaduna com a tentativa de manter as amizades antigas.

… naqueles dias em que vemos pessoas que até costumamos ver regularmente, mas por acaso daquela vez já não as víamos há muito, e parece que temos os acontecimentos de um ano para contar de enfiada!

… naqueles dias em que revemos aquela pessoa que já não víamos desde o ano passado, e em poucas horas fazemos um resumo e balanço de mais um ano que passou… e que para o ano voltaremos a fazer o mesmo…

… naqueles dias em que nos apetece partilhar os nossos pensamentos e experiências com todos! Dias que estamos eufóricos e nos apetece espalhar essa alegria com quem encontramos!

… naqueles dias em que pensamos se as nossas escolhas de vida foram realmente as mais acertadas, ponderando as vantagens e desvantagens que acarretaram… Ao fim de quatro anos penso, será que a opção X teria sido melhor que a Y? Será que alguma coisa tinha sido diferente? Será que tudo teria tomado o mesmo rumo?

… naqueles dias em que sentimos que estamos realmente a fazer uma coisa que gostamos, mas que a velocidade que exigem que façamos as coisas, nos faz sentir oprimidos e pensar se isso realmente compensa no final… E qual a necessidade de tanta pressa? Se depois em outras coisas se demora tanto tempo… Qual a necessidade de relegarmos para segundo plano coisas que também gostamos de fazer, e que nos dão prazer, em prol do cumprimento de horários? Isso é qualidade de vida?

… naqueles dias que souberam mesmo bem, e que por isso, ainda nos fazem mais nostálgicos do sentido da passagem do tempo… pois para além de já estarmos com saudades de tantas coisas boas que aconteceram, os dias bons ainda reforçam mais esse sentimento… parece que de repente tudo assola à memória…

… naqueles dias em que sentimos que as coisas estão a passar depressa demais, e que quase não os conseguimos absorver por tanta coisa que nos rodeia, que quase nos apetece fazer um registo de tudo aquilo, para depois lá podermos voltar quando quisermos.
Mas o verdadeiro registo de pensamentos é quando os temos. E apesar de os querermos registar quando os sentimos, e tal como os sentimos, quando o fazemos, nesse registo já não vai transparecer a mesma intensidade com que os sentimos pela primeira vez…