11 novembro 2009

Mudar de ideias...


Às vezes crucifixam-nos por mudarmos de ideias. E porque o que acabámos de dizer agora já não é o mesmo que pensávamos e dizíamos há um tempo atrás.
Bem, todos temos direito de mudar de ideias... na verdade nem sempre estamos iguais.
Afinal só as pessoas estreitas de mente é que não mudam de ideias. Só as mais limitadas e tacanhas é que nunca mudam a sua forma de pensar, nem as ideias que têm!
Se calhar nem as têm! São os outros que têm de ter por elas.
E, ironicamente, são essas mesmo que nos criticam.
Talvez não seja ironicamente.
É precisamente por serem assim que o fazem.

03 novembro 2009

Sedimentos de ideias...


Nada. O blog ultimamente não tem dito nada.
Nada. Nada mesmo.

Mas isso não quer dizer que não tenha nada para dizer. Aliás, até tem, e muito! Só que às vezes as condições físicas e psicológicas não são as mais próprias para escrever.

Ideias são mil e uma! E jorram como um rio de leito cheio...

Surgem muito frequentemente e transbordam de conteúdo...
Resultado de imaginação fértil? De experiências? Muita divagação? Novas situações?

Não sei... talvez até seja o conjunto de tudo isso... e a consequência é um borbulhar constante de uma sopa de ideias prestes a rebentar...
E no momento que surgem as ideias, apetece logo registá-las, para não as perder!
Mas nem sempre isso é oportuno... E depois acabam por se desvanecer com as horas do tempo...

Nem sempre é fácil segurá-las na mente, tal como há coisas na vida que não são fáceis de segurar.
Bem, algumas são, e não querem ser seguradas. E depois mais tarde quando voltam para as segurarmos, já não queremos, já passou o tempo... a oportunidade... o seu ciclo... o seu tempo...

Ack! Isto foram só umas dessas ideias que foram seguradas a tempo...

23 setembro 2009

Palavras perdidas...


Escrever! Escrever! Escrever!
Muito se tem que escrever! Muitas coisas nos pedem para escrever! Muitas coisas as pessoas são obrigadas a escrever sob força do seu trabalho.
Textos, artigos, trabalhos, leis, redacções, notícias, livros, revistas, jornais, crónicas!
Muito texto se produz! Tantas letras e palavras que diariamente são lançadas ao mundo.
Sob todas as formas e formatos... dezenas, centenas, milhares, milhões de textos são a todo o tempo produzidos!

Será que há sempre alguém que lê o que outra pessoa escreveu?

Não haverão imensos textos, livros, artigos, revistas que são simplesmente em vão?
E no entanto o seu autor pode ter despendido horas de vida a produzir esse mesmo pedaço de texto... e às vezes nem sequer pensamos nisso! Se quando damos uma olhada e o mesmo não nos agrada, simplesmente pomos de lado sem dó nem piedade. Nem damos valor ao tempo que alguém se dedicou a organizar e a construir todo aquele conjunto de letras.
E esses casos devem ser tantos...

Quantos livros que demoram anos a escrever, nunca chegam a ser lidos e apenas fazem número nas livrarias...
Quantos artigos de revista levam horas a ser escritos e depois poucas revistas se vendem e ninguém lê esses pedaços de textos...
Quantos jornais estão repletos de notícias que ninguém lê... e no dia seguinte já ninguém os compra... já ninguém lhes liga... ninguém chega a ler aquelas palavras... aquelas palavras perdidas...



16 setembro 2009

Tese de Doutoramento do Coelho


Um pequeno "conto" muito incentivador para os que brevemente irão começar a fazer uma tese...


Era um dia lindo e ensolarado o coelho saiu de sua toca com o notebook e pôs-se a trabalhar, bem concentrado.
Pouco depois passou por ali a raposa, e, viu aquele suculento coelhinho tão distraído,que chegou a salivar.
No entanto, ficou intrigada com a actividade do coelho e aproximou-se,curiosa:
- Coelhinho, o que está a fazer aí, tão concentrado?
- Estou a redigir a minha tese de doutoramento - disse o coelho, sem tirar os olhos do trabalho.
- Hummmm... e qual é o tema da sua tese?
- Ah, é uma teoria para provar que os coelhos são os verdadeiros predadores naturais das raposas.
A raposa ficou indignada:
- Ora!!! Isso é ridículo!!! Nós é que somos os predadores dos coelhos!
- Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu mostro a minha prova experimental.
O coelho e a raposa entram na toca.
Poucos instantes depois ouvem-se alguns ruídos indecifráveis, alguns poucos grunhidos e depois silêncio.

Em seguida, o coelho volta, sozinho, e mais uma vez retoma os trabalhos de sua tese, como se nada tivesse acontecido.
Meia hora depois passa um lobo. Ao ver o apetitoso coelhinho, tão distraído,agradece mentalmente à cadeia alimentar por estar com o seu jantar garantido.
No entanto, o lobo também acha muito curioso um coelho a trabalhar naquela concentração toda.
O lobo resolve então saber do que se trata , antes de devorar o coelhinho:
- Olá, jovem coelhinho! O que o faz trabalhar tão arduamente?
- Minha tese de doutoramento, seu lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos.
O lobo não se conteve e farfalha de risos com a petulância do coelho.
- Ah, ah, ah, ah!!! Coelhinho! Apetitoso coelhinho! Isso é um despropósito;nós os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos. Aliás, chega de conversa...
- Desculpe-me, mas se você quiser eu posso apresentar a minha prova experimental. Você gostaria de acompanhar-me à minha toca?
O lobo não consegue acreditar na sua boa sorte.
Ambos desaparecem toca adentro.
Alguns instantes depois ouve-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e... silêncio.

Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível, e volta ao trabalho de redacção da sua tese, como se nada tivesse acontecido.
Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensanguentados e pelancas de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos.
Ao centro das duas pilhas de ossos, um enorme leão,satisfeito, bem alimentado, a palitar os dentes.

Moral da história:
1. Não importa quão absurdo é o tema da tua tese;
2. Não importa se não tens o mínimo fundamento científico;
3. Não importa se as tuas experiências nunca chegam a provar a tua teoria;
4. Não importa nem mesmo se as tuas ideias vão contra o mais óbvio dos conceitos lógicos.
5. O que importa é: QUEM É O TEU "PADRINHO"...

29 agosto 2009

Ondas...


Ondas grandes... ondas muito grandes...

Ondas enoOOormes...

Ondas gigAntEscas e mOOOnstrUOosas...


Ondas c o l o s s a i s...

Ondas raivoOosAs!!!

Ondas inTocávEis e imErguLháveis...


Ondas BRaaaavAs!

Ondas furiooOOoosas!


Ondas iraaaaaadas!!!

Ondas CoLéRiCaAaAS!!!


Ondas mortAAAis!
Ondas fUrIbUnDas e cRuÉis!

Ondas hEdiOndas!!!

Ondas FeiAAAS!!!


Ondas LINDAS!

...


Porque sabe sempre bem ver o mar... Por alguma razão especial, olhar o mar significa sempre muito mais do que apenas olhar. É ver mais além.
E porque gostamos sempre de ver o mar?
Porque gostamos sempre de ver o mar, quer ele esteja calmo e mansinho, quer ele esteja irado e revolto? Afinal porque gostamos dele?
Porque é o mar? Simplesmente porque é o mar?
Uma grande massa líquida... é isso que nos impressiona? É só isso que nos impressiona?
É observar que a sua proveniência é do infinito? Daquela linha imaginária no horizonte?

Porque quando mar está calmo, assim nos sentimos também. Tranquilos e pacíficos. O seu estado impele-nos a estar assim também. Ele aquieta-nos e assossega-nos.

Quando o mar está irado e colérico, ficamos inquietos e nervosos. Espantados por algo tão grande e sem domínio conseguir estar tão furioso e revoltado...
Fascinados pelo que vemos... talvez porque algo em nós se identifica com a sua inquietação... E talvez por isso fiquemos espantados e deliciadamente admirados... por algo tão grande, conseguir-se exprimir de forma tão ostensiva, metaforizando o que nos vai cá dentro...

Porque é que gostamos do mar?
Se calhar porque nos identificamos com ele...
Se calhar porque ele nos mostra como estamos por dentro... talvez porque temos medo de assumir isso... ou não queiramos de todo assumir. E é ele que nos diz.

Sim, talvez seja isso.